Pietro Leal e Thiago Kalu
Eu não faço seu tipo
sou bem casca fina
minha alma não combina
com seu gosto esquisito
Não que eu seja o mais bonito
Não vou me adoçar
para atender a seu gosto
o que eu tenho proposto
é meu ouro, meu ar
rosa rara de achar
Até já lhe apresentei
Meu cpf e identidade
Já não tenho mais idade
Para implorar
os carinhos de alguém
que apertou a minha mão
Agora vá
e não conte pra ninguém
Aceito a sua vaia
É de se considerar
Pois não sou da sua laia
Sou do meu laiá laiá
Friday, February 18, 2011
Thursday, September 24, 2009
Linha do Horizonte
Pietro Leal e Tom Lemos
Cada linha do horizonte
é o reino de alguém
Devaneios são a vera ponte
de quem quer ir mais além
Cada sim que digo a você
digo um não pra alguém
Lá de cima não se pode ver
Quem só tem um vintém
Quem só tenta nunca tem
Quem não guenta o tranco tenderá
a repetição dos passos
ao desenlaçar dos laços
esquecer a comunhão
Logo acima da cabeça
é o começo do chão de alguém
que subirá a cabeça
e o começo do chão e alguém
que perderá a cabeça
e o começo do chão e alguém
perceberá que a cabeça
é o começo do chão
Cada linha do horizonte
é o reino de alguém
Devaneios são a vera ponte
de quem quer ir mais além
Cada sim que digo a você
digo um não pra alguém
Lá de cima não se pode ver
Quem só tem um vintém
Quem só tenta nunca tem
Quem não guenta o tranco tenderá
a repetição dos passos
ao desenlaçar dos laços
esquecer a comunhão
Logo acima da cabeça
é o começo do chão de alguém
que subirá a cabeça
e o começo do chão e alguém
que perderá a cabeça
e o começo do chão e alguém
perceberá que a cabeça
é o começo do chão
Tuesday, May 26, 2009
Ela
É ela, eu sei
O espelho e o lado oposto
a piada de bom gosto
o meu rir até chorar
O meu carma, o preferido
coquetel bem divertido
nessa cama de um só
É ela, eu sei
Um jantar com vela acesa
os carinhos sob a mesa
vendo a lua no quintal
Seus olhinhos sorridentes
Me embrulham pra presente
e se entregam no Natal.
O espelho e o lado oposto
a piada de bom gosto
o meu rir até chorar
O meu carma, o preferido
coquetel bem divertido
nessa cama de um só
É ela, eu sei
Um jantar com vela acesa
os carinhos sob a mesa
vendo a lua no quintal
Seus olhinhos sorridentes
Me embrulham pra presente
e se entregam no Natal.
Monday, April 27, 2009
O nó e o laço
Era uma noite enluarada
bem no pico do verão
E o danado coração
resolveu pregar uma peça
Nunca fiz uma promessa
nem rezei pra santo nenhum
mas foi naquele zumzumzum
que deu-se o milagre da moça
Eu, cobra criada
me afogando numa poça
Mas não era poça não
era um lago colorido
rodeado de vestido
parecendo uma boneca
Bonequinha tão sapeca
jogava bolinhas pra baixo, pra cima
um diabo de menina
virada no capeta
Girava, rodava, dava pirueta
era um circo inteiro numa mulher só
E foi ai que deu o nó
A malabarista encantou o palhaço
mas fez o nó virar um laço
que nem sapato mal amarrado
era so andar, pisar e ja tava separado
Faz medo nao
eu carrego ela comigo
esse presente disfarçado de castigo
vai embora, mas há de voltar
que é pra gente se encontrar
eu ja sei o que eu faço
Desamarro aquele laço
junto os dois e dou um nó
Ai sim! Eu e ela, um só
Dum jeito que todo mundo sabe como é
ela viciada em cafuné
eu viciado em fazer carinho
o palhaço cantador
e a menina passarinho.
bem no pico do verão
E o danado coração
resolveu pregar uma peça
Nunca fiz uma promessa
nem rezei pra santo nenhum
mas foi naquele zumzumzum
que deu-se o milagre da moça
Eu, cobra criada
me afogando numa poça
Mas não era poça não
era um lago colorido
rodeado de vestido
parecendo uma boneca
Bonequinha tão sapeca
jogava bolinhas pra baixo, pra cima
um diabo de menina
virada no capeta
Girava, rodava, dava pirueta
era um circo inteiro numa mulher só
E foi ai que deu o nó
A malabarista encantou o palhaço
mas fez o nó virar um laço
que nem sapato mal amarrado
era so andar, pisar e ja tava separado
Faz medo nao
eu carrego ela comigo
esse presente disfarçado de castigo
vai embora, mas há de voltar
que é pra gente se encontrar
eu ja sei o que eu faço
Desamarro aquele laço
junto os dois e dou um nó
Ai sim! Eu e ela, um só
Dum jeito que todo mundo sabe como é
ela viciada em cafuné
eu viciado em fazer carinho
o palhaço cantador
e a menina passarinho.
Thursday, April 16, 2009
Inválida
Te vi ali, cega
sangrando os meus olhos
salgando a minha carne
ardendo em minha alma
Tomando-me aos goles
como se cada gemido
brotasse embebido
em uma saliva morna
Mordendo minhas dobras
dobrando meus urros
nadando em sussuros
me deixando inválida
Pálida e descompassada
pulsando em soluços
agarrando-me os pulsos
invadindo-me em chamas
Inundando minha cama
meu cabelo, minhas costas
e afogando quase louca
minha boca sem respostas
sangrando os meus olhos
salgando a minha carne
ardendo em minha alma
Tomando-me aos goles
como se cada gemido
brotasse embebido
em uma saliva morna
Mordendo minhas dobras
dobrando meus urros
nadando em sussuros
me deixando inválida
Pálida e descompassada
pulsando em soluços
agarrando-me os pulsos
invadindo-me em chamas
Inundando minha cama
meu cabelo, minhas costas
e afogando quase louca
minha boca sem respostas
Thursday, October 9, 2008
Quarto crescente
Minha casa é a lua
adormeço em meu quarto crescente
Presinto a brisa leve e rala
em minha sala, em sua nuca
Sua casa é minha cuca
Minha asa é para-vento
Parafuso porca a dentro
Para cima céu a fora
Meu querer só quer agora
e hoje é boa hora
e pronto
O ponto e vírgula
é um respirar profundo
Não tomo pílula anticonvencional
O meu velório é um carnaval
Já plantei violetas no quintal
adormeço em meu quarto crescente
Presinto a brisa leve e rala
em minha sala, em sua nuca
Sua casa é minha cuca
Minha asa é para-vento
Parafuso porca a dentro
Para cima céu a fora
Meu querer só quer agora
e hoje é boa hora
e pronto
O ponto e vírgula
é um respirar profundo
Não tomo pílula anticonvencional
O meu velório é um carnaval
Já plantei violetas no quintal
Friday, July 25, 2008
A metade do dobro
Pietro Leal e Thiago Kalu
Nem o que dizem,
nem o que penso
A verdade está no meio
Entre o meu olho e o alheio
Entre o meio vazio
e o quase cheio
finalizo num trago
essa dose absoluta
Jogo longe a vã disputa
entre o eu das duas faces
e o empasse segue forte
vendo a sorte esvair-se
Aí se fez presente
o velho placebo do tempo
mostrando em seu semblante
a ultima gota de alento
e carregado pelo vento
vem o breve segundo de paz
e o amor se dilui
em dois copos a mais
Nem o que dizem,
nem o que penso
A verdade está no meio
Entre o meu olho e o alheio
Entre o meio vazio
e o quase cheio
finalizo num trago
essa dose absoluta
Jogo longe a vã disputa
entre o eu das duas faces
e o empasse segue forte
vendo a sorte esvair-se
Aí se fez presente
o velho placebo do tempo
mostrando em seu semblante
a ultima gota de alento
e carregado pelo vento
vem o breve segundo de paz
e o amor se dilui
em dois copos a mais
Thursday, November 29, 2007
Papo de esquina

Ei, ja não te vi antes?
Me parece tão familiar
Não sei se é o cheiro,
a voz ou o jeito de olhar
Acho que foi naquela curva,
perto daquela esquina,
Onde havia uns cachorros,
um bêbado e uma menina
Sim, era você!
Por onde andou?
Faz tanto tempo,
mas pra mim parece que
o tempo parou
A verdade é
que nunca esqueci
sempre soube que era você
Só estava olhando seus olhos,
me procurando
tentando me ver
Ei! Eu estou ali
No cantinho da iris,
perto da pupila
Segurando uma gota
que balança, ocila
Só esperando
a hora de me jogar
Deslizar no seu rosto
sentir tua pele,
lembrar teu gosto
Saber que não sou tao certo
e que não és tão louca
Sonhar dormindo em seus olhos,
cair no teu beijo
acordar em tua boca
Tuesday, October 30, 2007
No osso
Havia duas metades
E ainda não sei quem és
meia porção de saudade
Meias esquentando os pés
E ela me disse: vou ali
Volto se a chuva passar
E tem tanta agua pra cair
Na madruaga...
Havia um moço e uma janela
gelando o quarto vazio
ali um vento vinha entoando
esse choroso assobio
E vai dor no osso esse frio
Vai doer no osso
E ainda não sei quem és
meia porção de saudade
Meias esquentando os pés
E ela me disse: vou ali
Volto se a chuva passar
E tem tanta agua pra cair
Na madruaga...
Havia um moço e uma janela
gelando o quarto vazio
ali um vento vinha entoando
esse choroso assobio
E vai dor no osso esse frio
Vai doer no osso
Tuesday, August 21, 2007
Contos Verticais II

Dentre as formas verticais que encontrei para expressar
meus devaneios, o cordel é uma paixão incontestável.
Esse saiu da cabeça pro 'papel' como mágica. Como um feitiço.
O Feitiço da Mulher Borboleta
Hoje acordei virado na bagaceira
E eu ja to pelas bera com essa situação
Despertei avexado logo de manhã
Acordei com a boca doce
que eu pensei até que fosse
o mais puro mel de romã
Como pode um cabra relento
com um sonho tão bunito
chega me agonia aqui dentro
pensar nesse fato esquisito
Era uma noite escura
chega as vista ficava preta
Me aparecia uma criatura
metade vaga-lume, metade borboleta
Pousou no meu nariz
como quem nao queria nada
e disse toda feliz:
você agora tem uma fada.
Vixe. Agora é que danou-se
Butaro cachaça no meu café
Eu conversando com um vaga-lume
que tem cara de muié
Sacudi minha cabeça
fazendo avoar aquele trocinho
alumiava feito candieiro
fazendo um rastro com seu caminho
Antes que eu me desse conta
já tava todo enfeitiçado
A cabeça meio tonta
os cabelo arrupiado
Tô ficando é maluco
com essa muié-borboleta
parece até q to fumando
o tal cigarro do capeta
Arrodiou o meu pescoço
parou no pé do meu ouvido
e disse: ande seu moço
faça logo seu pedido.
Ahh... agora to entendendo!
então eh isso
tu é daqueles anjo
que sabe fazer feitiço
Oxe seu minino
Num so vaga-lume, nem borboleta
nem anjo nem muié
Mas pra adiantar nosso selviço
tu me chame do que quizer
Disse ela sorrindo
com os zoin apertado
avexando meu juizo
e me deixando encabulado
Então tá certo fadinha do sertão
Se é pra pedir, num vo economizar
Cansei de andar com pé no chão
De agora em diante eu quero avoar!
Sair por ai feito piriquito
céu afora, desembestado
quero ver se é mesmo tão bunito
o mundo visto daquele lado
Nem deu tempo de piscar
ja senti o corpo dormente
Era um calafrio que vinha da espinha
que fazia bater os dente
Não conseguia parar de tremer
e num tem macho que consiga
Quando vi ja tava perto das nuve
Vendo cabrito do tamanho de formiga
Valei-me meu Padin Ciço
cade essa fada que sumiu?
Me trouxe pra riba com esse feitiço
fez o trabaio todo e fugiu
Fugi não cabra medroso
Num ta vendo q to do seu lado
aproveita esse vento gostoso
disse ela achando engraçado
Nao demorou muito
eu ja tava bem a vontade
De longe via as montanha, rio, cachoeira
Natureza de verdade
Era tanta coisa linda
que nao sei dizer ao certo
se era mais bunito de longe
ou melhor ver bem de perto
La de cima vi um lago
tao azul q quase choro
tanta água era luxo
lá nas banda onde eu moro
Puxei a fada pelo braço
e me joguei la de cima
quanto mais chegava perto
mais ficava cristalina
Mergulhamo naquele azul
e ai foi que assucedeu
A fada se alevanta
Do mesmo tamanho que eu
Como pode um musquitin
crescer tao depressa
mergulha uma borboleta
e sai uma mulher dessa
Ela disse: feche o zoio
que seu sonho num acabou
De perto sentia o cheiro
como vindo de uma flô
Me beijou devagarinho
parecia algodão
tao macio e tao docinho
que nem doce de mamão
Acordei bem nessa hora
todo desconfiado
Ja num tava mais dormindo
mas sentia o colchão molhado
Aprendi que não tem jeito
uma fada nao se ama
ou tu vai ter dor no peito
ou fazer xixi na cama.
Wednesday, July 11, 2007
Lavoura triste

De longe via a prantação
ou o que restou dela
a cabeça escorada na janela
olhei pra riba em busca de oração
Onde anda o colorido?
Por que tem que ser sofrido?
Pra quem foi que eu disse não?
Nada explica essa seca marvada
O dia que queima a alma ardida
A noite que chega, escura e gelada
Quero de vorta minhas pranta
Nem que seja uma gota
escorrendo na garganta
mas num leve a esperança
ja levou minha mulé, minha mãe
minhas criança
Por que é que me deixou?
Por que é que num matou
Esse pobre infeliz que ja nem sabe
como uma boca vira sorriso
So me diz o que eu preciso
pra ter de volta minha paz
Vai, me diz como é que faz
Arresorve esse mal
Faz nascer um pé-de-coisa
no fundo do meu quintal
Uma foia esverdeada
Pra quem ja nao tem mais nada
uma muda, muda o final.
Wednesday, June 20, 2007
Contos verticais
Sempre tive grande dificuldade em ordenar meus devaneios em bloco de prosas infinitas. As frases já me aparecem em forma de versos com rimas automáticas. Me dá um nó no juízo só em olhar pra cima e ver aquela parede de letrinhas.
Há algum tempo tento escrever contos, mas insisto em quebra-los em versos. As palavras resistem à prosa e se agrupam na vertical. Elas vêm quase cantadas como feitas pra canção. Quando vejo já ta feito. Concluindo, não tem jeito: rimo até em explicação.
Le votre goût
Era tarde, não da noite
De um sol bem morno
A praça cheia de pirralhos
Velhinhos e seus baralhos
meninas com seus adornos
Num horizonte, não distante
Uma sombra me desperta
Contra o sol, uma silhueta
linda saia e camiseta
pôs meus nervos em alerta
Apertando um pouco os olhos
Pude vê-la aproximar-se
Deslizando em seus chinelos
Estava pronta pro duelo
E eu em busca de um disfarce
Pra que armas usaria
se nem vou me defender?
Me olhando com ternura
Sussurrou sua doçura:
J'adorerais pour sentir votre goût
Olhei-a boquiaberto
E, já certo da resposta,
lhe propus um desafio
- Não me entenda um vadio
Só escute minha proposta.
Num momento de sandice
Eu lhe disse, rosto-a-rosto:
- Me traduz pra tua língua
que te mostro o meu gosto.
Há algum tempo tento escrever contos, mas insisto em quebra-los em versos. As palavras resistem à prosa e se agrupam na vertical. Elas vêm quase cantadas como feitas pra canção. Quando vejo já ta feito. Concluindo, não tem jeito: rimo até em explicação.
Le votre goût
Era tarde, não da noite
De um sol bem morno
A praça cheia de pirralhos
Velhinhos e seus baralhos
meninas com seus adornos
Num horizonte, não distante
Uma sombra me desperta
Contra o sol, uma silhueta
linda saia e camiseta
pôs meus nervos em alerta
Apertando um pouco os olhos
Pude vê-la aproximar-se
Deslizando em seus chinelos
Estava pronta pro duelo
E eu em busca de um disfarce
Pra que armas usaria
se nem vou me defender?
Me olhando com ternura
Sussurrou sua doçura:
J'adorerais pour sentir votre goût
Olhei-a boquiaberto
E, já certo da resposta,
lhe propus um desafio
- Não me entenda um vadio
Só escute minha proposta.
Num momento de sandice
Eu lhe disse, rosto-a-rosto:
- Me traduz pra tua língua
que te mostro o meu gosto.
Wednesday, June 13, 2007
Coisa de Mulher
Quem foi que disse
Que homem nao gosta de flor?
Que nao acha o por do sol lindo?
Qual homem nunca dormiu chorando?
Qual deles nunca acordou sorrindo?
Quem te falou que pra ser homem de verdade
nao pode sentir medo
nem tremer a ponta dos dedos
Nem sentir saudade?
Confesso que a gente não nasceu com a manha
Que nem mulher quando se assanha
pedindo um pouco de carinho
Chega faceira, devagarinho
Faz um chamego, bebe uma taça de vinho
Não muito diferente do cabra valente, infezado
Basta pôr o amor do seu lado
logo recebe um cheiro no pé do pescoço
Vai ver ficar manso o cabra que era um grosso
Tem que acabar com esse negócio
de tanto casamento, tanto divórcio
que fulano é, ou fulana não é,
que isso é coisa de homem,
que aquilo é coisa de mulher
Quero encher o peito e soltar o grito
E entrar na igreja todo bonito
Ir até o padre e dizer Amém..
Se isso é coisa de mulher,
eu quero ser mulher também
Que homem nao gosta de flor?
Que nao acha o por do sol lindo?
Qual homem nunca dormiu chorando?
Qual deles nunca acordou sorrindo?
Quem te falou que pra ser homem de verdade
nao pode sentir medo
nem tremer a ponta dos dedos
Nem sentir saudade?
Confesso que a gente não nasceu com a manha
Que nem mulher quando se assanha
pedindo um pouco de carinho
Chega faceira, devagarinho
Faz um chamego, bebe uma taça de vinho
Não muito diferente do cabra valente, infezado
Basta pôr o amor do seu lado
logo recebe um cheiro no pé do pescoço
Vai ver ficar manso o cabra que era um grosso
Tem que acabar com esse negócio
de tanto casamento, tanto divórcio
que fulano é, ou fulana não é,
que isso é coisa de homem,
que aquilo é coisa de mulher
Quero encher o peito e soltar o grito
E entrar na igreja todo bonito
Ir até o padre e dizer Amém..
Se isso é coisa de mulher,
eu quero ser mulher também
Monday, June 11, 2007
Memorias de um arrepio

Você pode ter esquecido
mas minha memória é eterna
Eu sou aquele arrepio
sem vento e sem frio
subindo em sua perna
O grito comprimido num pote
O cheiro cheiroso
que te esquenta o cangote
Eu sou o inferno e a paz
O passado que vai à frente
e o presente correndo atrás
Aquele que te segue enquanto anda
tragando o aroma de mel e lavanda
Eu sou a sua libido viva
A gota saliva que escapole do beijo
escorre na louça e ilumina o que vejo
E mais do que justo segue sua trilha
atravessa seu busto e tranborda à virilha
Assim como essa gota
sou eu agora
Passeio em seu corpo
pouso em sua mão
e vou embora
Tuesday, June 5, 2007
1, 2, 3, salve eu!
Salve-me, salva-te
Salvemos nós
Salvo engano
a cada ano
ficamos mais sós
Salve a Terra ficando quente
E cada vez nasce mais gente
com o coração tão frio
Lacrimeja um filete de rio
Escorre pro mar que não mata a sede
Ah! Eu hei de fugir
Tu hás de esconder
Havemos de mentir
O sentido desse caos
Tantos e tantos bens
Com tantos e tantos maus
Salve o animal irracional
Escovem o pêlo e a crina
Limpem bem as patas
Apertem o nó da gravata
Lá vão eles pro congresso
Seguem em frente cavalgando
Cagando e andando
Pro nosso progresso
De longe ouve-se os gritos
Respeite o preto! Salve o verde!
A cruz vermelha e a febre amarela
Tão podre e colorido
Que ninguém se lembra dela
Terra d'água, aquarela
Ela, enfim, envelheceu
Poucos gritam: salve a Terra
Todos rogam: um, dois, três, salve eu!
Salvemos nós
Salvo engano
a cada ano
ficamos mais sós
Salve a Terra ficando quente
E cada vez nasce mais gente
com o coração tão frio
Lacrimeja um filete de rio
Escorre pro mar que não mata a sede
Ah! Eu hei de fugir
Tu hás de esconder
Havemos de mentir
O sentido desse caos
Tantos e tantos bens
Com tantos e tantos maus
Salve o animal irracional
Escovem o pêlo e a crina
Limpem bem as patas
Apertem o nó da gravata
Lá vão eles pro congresso
Seguem em frente cavalgando
Cagando e andando
Pro nosso progresso
De longe ouve-se os gritos
Respeite o preto! Salve o verde!
A cruz vermelha e a febre amarela
Tão podre e colorido
Que ninguém se lembra dela
Terra d'água, aquarela
Ela, enfim, envelheceu
Poucos gritam: salve a Terra
Todos rogam: um, dois, três, salve eu!
Coisas fartas
Quantas coisas, poucas curtas
Curto coisas de ninguém
Quem não tem amor que parta
Tantas coisas, poucas fartas
Tanto farta que não tem
.
Curto coisas de ninguém
Quem não tem amor que parta
Tantas coisas, poucas fartas
Tanto farta que não tem
.
Thursday, May 31, 2007
Quando eu crescer
É tudo uma questão de tempo
Tic, tac, traque de massa
Na janela passa a vida
Já nela, tudo passa
Espera só quando eu crescer
E puder atravessar a rua
Arruaças de um moleque grande
E por onde quer que eu ande
Minha alma estará nua
Corre aqui e me conta um segredo
Cruzo o dedo atras das costas
Mas se jura que me gostas
Te prometo não ter medo
Espera ver quando eu for grande
Te carrego no meu colo
Colarinho e pescoço
A menina com seu moço
A semente no seu solo
Ah! Se eu não fosse tão guri
Subiria lá no alto
Me bastava um simples salto
Te trazia até aqui
Espera só escurecer
E o barulho ficar mudo
Vou dormir e te encontrar
Pelo menos, sei que lá
Não serei mais tão miúdo
Tic, tac, traque de massa
Na janela passa a vida
Já nela, tudo passa
Espera só quando eu crescer
E puder atravessar a rua
Arruaças de um moleque grande
E por onde quer que eu ande
Minha alma estará nua
Corre aqui e me conta um segredo
Cruzo o dedo atras das costas
Mas se jura que me gostas
Te prometo não ter medo
Espera ver quando eu for grande
Te carrego no meu colo
Colarinho e pescoço
A menina com seu moço
A semente no seu solo
Ah! Se eu não fosse tão guri
Subiria lá no alto
Me bastava um simples salto
Te trazia até aqui
Espera só escurecer
E o barulho ficar mudo
Vou dormir e te encontrar
Pelo menos, sei que lá
Não serei mais tão miúdo
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